fbpx

Verão de 2020 será chuvoso e pode atrapalhar a agricultura

Com o ano quase chegando ao fim, os produtores rurais já estão de olho no alto verão e na quantidade de chuva prevista para o início do ano que vem. Fato é que algumas áreas que já estão recebendo os maiores volumes de chuva agora neste início de dezembro e vão continuar com a umidade acima da média em fevereiro, o que pode provocar alguns transtornos em relação aos trabalhos de campo.

Nesta semana, altos volumes foram registrados em Minas Gerais e, nas últimas 24 horas, o noroeste do Paraná chegou a ter 150 milímetros de chuva, o que representa 75% da média. Esta chuva é muito boa para o setor de energia que acaba de sair da bandeira tarifária vermelha por conta destas pancadas mais significativas. Com mais água nos reservatórios, os custos de produção nas áreas irrigadas devem diminuir.  Por outro lado, a chuva em excesso pode atrapalhar a fase final do desenvolvimento da safra de grãos, já que dias mais chuvosos tendem a ter menos luminosidade, algo que também é essencial para a boa produtividade das lavouras.

Em janeiro, a chuva vai atingir em média os 300 milímetros em boa parte do sul de Minas Gerais, norte de São Paulo e norte do Paraná, pegando áreas importantes das bacias hidrográficas que dão suporte às hidrelétricas. Já para os produtores de café, esta chuva em excesso pode atrapalhar.



Enquanto janeiro vai ser chuvoso nestas áreas, muitas que já estarão, por exemplo, colhendo a safra, outros estados como o Rio Grande do Sul terão o tempo mais seco em uma fase que a lavoura demanda mais umidade. 
“O Rio Grande do Sul e o Matopiba plantam a safra mais tarde e dependem muito das chuvas de verão que devem acontecer mais no Nordeste do Brasil do que nas lavouras gaúchas”, alerta Celso Oliveira, meteorologista da Somar. Para o Matopiba, região entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a expectativa é de 150 a 200 milímetros em janeiro, sendo que em alguns trechos do Rio Grande do Sul, as chuvas não serão constantes e vão apresentar volumes bem menores que este.

Fevereiro também vai continuar muito chuvoso no sul de Minas Gerais e aos poucos, conforme formos avançando para março e abril veremos nitidamente a chuva mais volumosa migrando para parte do Norte e Nordeste. “Neste momento podemos pegar uma fase de desenvolvimento do algodão no Nordeste em que a planta não tolera muita umidade”, explica Celso.

A conclusão que o meteorologista chega é que, infelizmente, alguns estados que demoraram a fazer o plantio por causa da falta de umidade podem ter problemas com o excesso de chuva na hora da colheita. “O tempo não consegue agradar todo mundo, ao mesmo tempo”, brinca Celso.

Fonte: Canal Rural