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Tratamento de sementes; na indústria ou na fazenda

Os profissionais do campo têm sido repetitivos no aconselhamento dos agricultores sobre a importância de estabelecer a lavoura com sementes de elevada qualidade. Mas nem sempre são ouvidos e muitos produtores optam por semear grãos de qualidade duvidosa no lugar da semente certificada, correndo o risco – bastante provável – de perder produtividade e lucro. Sementes de qualidade não são produzidas de qualquer jeito e se caracterizam por apresentar alto poder germinativo associado ao alto vigor.

Núcleo de Tecnologia de Sementes e Grãos da Embrapa Soja

Neste espaço, vamos discorrer sobre outra qualidade que a semente precisa ter: proteção contra pragas e doenças do solo durante o período compreendido entre a semeadura, a germinação e a emergência da plântula; principalmente em circunstâncias de pouca umidade do solo. O tratamento da semente é um trabalho preventivo, que consiste na aplicação de defensivos químicos (fungicidas e inseticidas) além de micronutrientes, polímeros, pigmentos, dentre outros e por último, o inoculante.

O tratamento das sementes pode ser realizado de duas formas: tratamento na fazenda – que o americano chama de TOF (Treatment On Farm) – e é realizado na propriedade pouco antes da semeadura. E existe, também, o TIS (Tratamento Industrial da Semente), realizado pela indústria de sementes e que já compõe a linha de beneficiamento em muitas empresas sementeiras.

O TIS é mais prático, uma vez que as sementes são compradas já prontas para a semeadura. A maior parte das empresas sementeiras realiza o tratamento no pré-ensaque ou no momento da entrega das sementes ao produtor. Este tratamento é realizado via aplicações automatizadas utilizando equipamentos de alta tecnologia, os quais proporcionam cobertura precisa da semente com os produtos protetores (fungicidas e inseticidas, principalmente) e com menores riscos de intoxicação dos operadores. O procedimento é, portanto, mais seguro e é mais eficiente, podendo tratar até 30 toneladas de sementes por hora.

A desvantagem do TIS ante o TOF é ser um procedimento mais dispendioso. Cabe comentar, também, que alguns produtos utilizados no TIS, nem sempre necessários e desejados pelo produtor, são vendidos num pacote sem direito de escolha por parte do agricultor. Desta forma, é importante que o produtor (ou seu responsável técnico) tenha a liberdade de escolher com quais produtos sua semente deveria ser tratada.

Para o tratamento de grandes volumes de sementes, o TOF é pouco prático, razão pela qual grandes produtores preferem comprar as sementes já tratadas ou optam por adquirir os próprios equipamentos para realizar o TIS, podendo associar-se a outros grandes produtores e compartilhar os equipamentos industriais; que não são baratos.

Associados de cooperativas, mesmo sendo pequenos produtores, podem servir-se do TIS via Cooperativa ou valer-se do TOF realizado com o auxílio de máquinas menores, que podem, inclusive, ser acopladas à tomada de força do trator e têm um rendimento em torno de 60-70 sacos por hora.

O principal objetivo do tratamento da semente é protege-la contra patógenos do solo – fungos, principalmente – durante o período entre a semeadura e a germinação da semente. Também, o tratamento tem o propósito de descontaminar a semente de organismos patogênicos, evitando sua introdução em áreas indenes.

As sementes mais tratadas no Brasil são as de milho e de soja, que dominam o mercado nacional com montante superior a 80%. Estima-se que mais de 95% das sementes destas culturas sejam protegidas no Brasil, via TIF ou TOF, em percentuais quase iguais. A tendência indica que futuramente todos os produtores optarão pelo uso de sementes tratadas, dado seu baixo custo ante os benefícios econômicos.

Não vale a pena economizar no tratamento da semente, assim como não vale a pena economizar na qualidade da semente. O ganhos de produtividade resultantes do tratamento de uma boa semente, compensa o investimento realizado.

Fonte: Embrapa