Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
Café
A cafeicultura no Paraná está voltando com novos incrementos
05/09/2016
Estado chegou a produzir, na década da 1960, 21 milhões de sacas de café. Em função de problemas climáticos ao longo dos anos e redução da área, safra 2016 será de 1,116 milhão de sacas

O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) está desenvolvendo cultivares de café que podem contribuir para a recuperação e sustentabilidade da cafeicultura do Estado, com crescentes níveis de produtividade, qualidade da bebida e, consequentemente, competitividade do setor. Na década de 1960, o Paraná produziu, em apenas uma safra, mais de 21 milhões de sacas de café de 60 kg, com produtividade média de 13 sacas por hectare. No entanto, o parque cafeeiro paranaense foi drasticamente reduzido a partir da década de 1970 em decorrência de fatores climáticos que afetaram expressivamente a produção, como geadas, o que motivou a erradicação de áreas do café, substituídas pelo cultivo de soja e trigo, entre outros.

Em 2016, de acordo com a Companhoa Nacional do Abastecimento (Conab), o Paraná será o sexto maior estado produtor, com 1,116 milhão de sacas de café, em uma área de produção de 47,3 mil hectares com produtividade de 23,6 sacas por hectare. Segundo ainda os dados da entidade, a safra paranaense de 2014 foi bastante reduzida para 557 mil sacas, devido a geadas ocorridas em 2013. E, em 2015, a produção de café no Estado iniciou retomada do crescimento, com uma produção de 1,29 milhão de sacas.

O Levantamento da Conab, que se baseia em dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), enfatiza ainda que “os cafeicultores estão cientes da necessidade de modernizar a atividade com investimentos em tecnologia da produção, como o equilíbrio nutricional do solo e da planta, renovação de lavouras, aumento da produtividade média, elevado grau de mecanização, e também com boa gestão e outras ações indispensáveis para se ter renda satisfatória e ser competitivo. Parcela significativa dos produtores está iniciando esse processo substituindo lavouras velhas por novos plantios que permitem a adoção das boas práticas necessárias”.

Com esse objetivo, o Iapar tem a atribuição fundamental de oferecer tecnologias que viabilizem o aumento de competitividade e eficiência necessárias à cafeicultura paranaense. O Instituto gerou modernas técnicas agronômicas de plantio adensado, manejo de solos e podas, entre várias outras. Vale destacar cultivares de café desenvolvidas pelo seu programa de melhoramento genético que resultaram em acréscimos significativos de produtividade e redução de custos, que se tem observado em muitas áreas de referência nas regiões cafeeiras do Estado.

A escolha da cultivar de café é determinante para a modernização do sistema de cultivo. Assim, as cultivares desenvolvidas pelo Iapar têm atributos positivos que incluem resistência a pragas e doenças, tolerância a seca, além de diferentes estágios de maturação e portes, adaptação a condições de clima e solo do Paraná, e potencial de adaptação para o cultivo em outras regiões do País.

Conheça algumas das principais cultivares de café do Iapar:
IPR 107 —
cultivar de café inscrita no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 2001. Foi desenvolvida com o objetivo de combinar as características de porte baixo e de resistência completa e durável à ferrugem, à semelhança da cultivar IAPAR 59 com as características de rusticidade das cultivares “Mundo Novo”. É indicada para áreas cafeeiras com solo de textura argilosa e textura média, com temperatura média anual entre 19ºC e 22ºC; resistente às raças de ferrugem presentes no Paraná em 2010. Tem maturação semi precoce e apresentou produtividade média de 53 sacas por hectare nos quatro primeiros anos, em lavouras do Paraná, com temperatura média de 19,5°C e cultivo no sequeiro.

IPR 103 – registrada em 2001; foi desenvolvida para locais de solos pobres e com temperatura média anual entre 21ºC e 23ºC. É indicada para cultivo no Noroeste do Paraná, região do Arenito Caiuá, com alta produtividade. Também é de elevada produtividade na região de terra roxa (fria) do Paraná, porém é indicada para áreas menos sujeitas a geadas, pois é de maturação supertardia. Apresenta resistência parcial à ferrugem nas condições do Estado do Paraná.

IPR 100 – registrada em 2001; é indicada preferencialmente para regiões de cultivo (aptas quentes), com temperatura média anual acima de 21,5oC. Nas regiões aptas mais frias, com temperatura média anual abaixo de 20,5ºC, a cultivar também apresenta alta produtividade, porém é indicada para áreas menos sujeitas às geadas de início de inverno. Apresenta maturação tardia e resistência aos nematoides Meloidogyne paranensis e a algumas raças de Meloidogyne incognita. A produtividade pode atingir até 58,8 sacas por hectare.

IPR 99 – registrada em 2001; é indicada para regiões cafeeiras do Estado do Paraná, em plantio adensado (7.000 a 10.000 plantas). Resistente à ferrugem nas condições do Estado do Paraná, não abrangendo todas as raças conhecidas do patógeno em âmbito mundial, podendo eventualmente ser necessário o controle químico. A IPR 99 é suscetível à cercóspora, mas apresenta excelente produtividade, com 46,6 sacas por hectare e baixo custo de produção.

IPR 98 – registrada em 2001; foi desenvolvida para cultivos adensados, possui ciclo de maturação médio, porte baixo e resistência à ferrugem. Viabiliza o escalonamento da colheita na propriedade, pois seus frutos amadurecem em período intermediário ao de outras cultivares, como por exemplo, a IAPAR 59 e Tupi IAC 1669-3. As avaliações da IPR 98 realizadas ao longo de seis anos nas regiões cafeeiras do Paraná indicaram produtividade de 79 sacas/hectare em um adensamento de 8.000 plantas/hectare.

IAPAR 59 – registrada em 1999; é indicada para regiões mais frias, chuvosas e com solo mais argiloso ou com mais matéria orgânica. A IAPAR 59 tem ciclo precoce, o que possibilita a antecipação da colheita antes que eventuais geadas incidam sobre os frutos ainda verdes. Essa cultivar tem boa produtividade e é ideal para plantio adensado em função do seu porte baixo e resistência à ferrugem.
FONTE: Foco Rural com informações de Iapar
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