Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019
Pesquisa e Desenvolvimento
“Câncer não tem relação direta com pesticidas”
13/12/2018
Série de matérias com o Prof. Doutor em Patologia, João Lauro Viana de Camargo, patologista toxicológico.

“Em relação aos pesticidas existentes no mercado, as evidências disponíveis não permitem afirmar a existência de associação direta e causal entre as taxas de câncer no homem e exposição ocupacional ou pela dieta”. A afirmação é do Professor Doutor em Patologia, João Lauro Viana de Camargo, patologista toxicológico.

A partir desta quinta-feira (13.12), o Agrolink trará uma série de matérias com informações desse especialista, que atuou por dezenas de anos na Universidade de Estadual de São Paulo (UNESP Botucatu). Camargo explica que algumas substâncias químicas de fato podem ser cancerígenas para a espécie humana. Em função disso, sua síntese, manipulação e uso devem ser objeto de normas e procedimentos rigorosos de segurança.

“Existem reiterados relatos de possíveis associações, mas eles são inconsistentes devidos a deficiências científicas: falhas no delineamento dos estudos, deficiência na composição de grupos expostos e respectivos controles, determinação precária da exposição (doses), diagnósticos de câncer mal caracterizados, etc”, ressaltou ele em material produzido pelo Portal Ciência e Tecnologia Agro.

No conjunto, sustenta o especialista, essas deficiências “enfraquecem o peso das evidências sobre a associação causal entre câncer e pesticidas. Aspectos importantes e frequentemente pouco considerados para definir uma relação causa-efeito são a identificação do modo/mecanismo de ação (genotoxicidade, estresse oxidativo, desregulação endócrina, etc) pelo qual um pesticida provocaria o câncer no homem e, quando as evidências são obtidas de animais de laboratório, se os resultados obtidos naqueles animais são extrapoláveis para a espécie humana”.

Camargo integra a lista de especialistas do Joint Meeting of Pesticides (JMPR) da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/OMS). Ele é membro dos Conselhos Editoriais de renovados periódicos científicos como International Scholarly Research Network, Toxicology e o European Journal of Toxicologica Sciences.

Amanhã: As avaliações de perigo e de risco efetuadas pelas agências reguladoras no mundo e no Brasil são eficazes para detectar e gerenciar os riscos de pesticidas que apresentam potencial cancerígeno?
FONTE: Agrolink
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