Sábado, 17 de Novembro de 2018
Sustentabilidade e Meio Ambiente
Lama que nutre a terra: pesquisadores de minas produzem fertilizante a partir de lodo de esgoto
19/09/2018
Um componente abundante e barato, encontrado nas principais cidades do mundo, virou matéria-prima para beneficiar diferentes lavouras graças a um estudo realizado em solo mineiro. Lodo de esgoto é a substância. Proveniente das unidades operacionais do sistema de saneamento, o material é tratado, enriquecido e transformado em fertilizante organomineral.

Produzido, por enquanto, em escala experimental, o adubo está sendo testado em plantações de cana-de-açúcar destinadas à produção de etanol. Biólogo, doutor em ciência e tecnologia de biocombustíveis e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Carlos André Gonçalves destaca que os resultados têm duplo benefício ambiental.

“Além de termos criado uma matriz orgânica para a produção de fertilizante, contribuímos para minimizar o problema do tratamento e da destinação de esgoto nas cidades, pois identificamos que as estações em si não resolvem todo o problema sozinhas”, detalha Gonçalves.

O estudo, que durou quatro anos na primeira fase, é realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro. Seis profissionais participaram dos trabalhos, que seguem, agora, para nova etapa.

Processos
A produção do adubo é feita em parceria com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), autarquia da prefeitura responsável pelo saneamento municipal. Depois de recebido nas Estações de Tratamento de Água e Esgoto (ETE), o material passa por diferentes processos.

No primeiro, são peneirados e eliminados resíduos sólidos. Em seguida, são usadas bactérias para degradar matéria orgânica, ou seja, tratar o material. A água limpa é devolvida ao meio ambiente e, então, o sólido restante – o lodo – é recolhido pelos pesquisadores.

“Nosso primeiro desafio foi controlar quimicamente a presença de metais pesados, como níquel, cádmio e chumbo. Para isso, usamos cal hidratada, misturada ao lodo numa betoneira. Na sequência, o material é levado para secagem ao sol, pois os raios UV funcionam como germicida natural”, explica o biólogo da UFU.

Depois dessa etapa, que dura cerca de 15 dias, o lodo, transformado em pó, é denominado biosólido. A ele são adicionados minerais agronomicamente importantes para cada tipo de lavoura. E, em seguida, é feita a peletização da substância final, isto é, a transformação do pó em grânulos cilíndricos.

Eficiência
De acordo com o biólogo Carlos André Gonçalves, o fertilizante mostrou-se 50% mais eficiente em relação aos adubos convencionais, sintéticos. “Metade da dose do nosso produto foi o suficiente para uma mesma área”, afirma.

Orientador do estudo, que faz parte de uma tese de doutorado, Reginaldo de Camargo diz que essa foi, até o momento, a única finalidade possível para beneficiamento de lodo de esgoto. De acordo com ele, qualquer empresa pública ou privada pode, a partir de agora, implantar o fertilizante organomineral em escala industrial.

Destinação do material diminui emissão de poluentes e impacto no aquecimento global
A destinação correta do lodo de esgoto é benéfica também do ponto de vista da emissão de gases do efeito estufa. Uma vez utilizado como adubo, o material deixa de ser direcionado a aterros sanitários, reduzindo a emissão dos principais poluentes e, consequentemente, o impacto no aquecimento global.

“Quando não utilizado desta forma, o lodo de esgoto vai parar nos aterros, contribuindo com a emissão dos gases de efeito estufa. Com a tecnologia que desenvolvemos, damos uma destinação mais nobre ao material, que deixa de ser depositado nesses espaços”, explica o biólogo Carlos Gonçalves.

Segundo o pesquisador, no entanto, para que o projeto tenha um peso maior na conservação ambiental, é preciso que novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) sejam construídas. Dados atuais do Atlas Esgoto: Despoluição de Bacias Hidrográficas, lançado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades, mostram que 70% das cidades brasileiras não possuem as estruturas.

O fertilizante organomineral, que levou cerca de 25 dias para ficar pronto, poderia ser fabricado na metade desse tempo caso fosse utilizado em escala industrial, diz Carlos Gonçalves. Utilizado ainda em áreas reduzidas de plantações de cana-de-açúcar, a substância custou 20% mais em relação ao adubo convencional, sintético.

“O próximo passo é viabilizar o uso em larga escala e fazer com que o experimento tenha um efeito cascata no país todo, incentivando, inclusive, a construção de mais ETEs”, reforça o estudioso.
FONTE: Cana Online
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