Sábado, 21 de Julho de 2018
Sustentabilidade e Meio Ambiente
Como medir a qualidade de semeadura?
19/06/2018
A qualidade de semeadura avalia-se de lado, transversal ao sentido do plantio: espaço e plântulas robustas.

Como medir, quais critérios usar?
Dois parâmetros principais definem a qualidade de semeadura.
1. Fechamento de sulco.
O fechamento de sulco determina o contato da semente com o solo para absorver água e o ambiente para iniciar o processo da germinação.

Sulcos abertos aumentam a evaporação, aceleram a desidratação do solo e permitem oscilação diária de temperatura pela radiação solar direta.

Sulco aberto, ao chover permitirá o escorrimento da água da superfície para dentro do sulco, levando agroquímicos e extratos orgânicos (ácidos), afetando a germinação, a emergência e o estabelecimento de agentes biológicos da rizosfera.

Sulcos abertos, formando ”valetas” e a formação de torrões são o pior cenário de semeadura.
O melhor cenário é a preparação do leito para a semente e o sulco fechado, com palha na superfície, aproximando ao que se define como ”semeadura invisível”. Nessa condição a semente estará protegida da oscilação de eventos ambientais da superfície e com a proteção necessária para desenvolver o processo fisiológico da germinação, seguido da emergência de plântulas robustas.
2. Distribuição de sementes e plantas.

A distribuição vertical e horizontal das sementes pode ser calculada com base no desvio padrão da média (cálculos estatísticos) e determinando coeficientes de variação (CV) aceitáveis. Esses cálculos envolvem alguma complexidade e estão disponíveis em apps para celulares.

Na foto, três situações de semeadura.
A: Distribuição uniforme, com 10 plantas/m e 10 cm de espaçamento entre plantas
B: Semeadura aceitável, para maior eficiência de interceptação de energia solar. 10 plantas/m com 50% de variação em relação à média. Espaço de 5 a 15 cm. Espaçamentos menores do que 5 cm são considerados agrupadas e acima de 15, falhas.
C: Semeadura real, mais frequente no campo. 16 plantas/m de fileira, com duas falhas (23 e 18 cm) e 12 plantas consideradas agrupadas, que competirão por radiação solar, água e nutrientes. Além de dificultar a proteção por causa da sobreposição de folhas desde o início do desenvolvimento vegetativo.

Desafio: valide, teste e ajuste a população da cultivar de soja que melhor se adapta em sua lavoura, com a sua forma de manejar.

De forma mais simples, objetiva e prática pode-se estabelecer a variação aceitável.
Em SOJA, com populações de 8 a 12 plantas/m de fileira ou 20 a 30 plantas/m2, com espaçamento de 45 a 50 cm entre fileiras a variação aceitável entre plantas é de 50% sobre a média.

Exemplo 1: 10 sementes/m de fileira, com a média de 10 cm entre plantas, aceitam variação entre 5 e 15 cm (50% acima ou abaixo da média).

Exemplo 2: 14 sementes/m, ou 7 cm entre plantas, com variação aceitável entre 3,5 e 10,5 cm, mantendo a população no metro de fileira.

As plantas com espaçamento 50% menor do que a média são consideradas agrupadas, competirão por espaço para interceptar energia solar e extrair água do solo, além de sobrepor folhas dificultando a proteção contra pragas e doenças.

Espaçamentos entre plantas, 50% acima da média, não compensarão a produção por planta. É importante lembrar que espaçamentos maiores, com distribuição uniforme, determinarão plantas com maior número de ramos e menor estatura. Porém, com populações acima de 10 plantas/m de fileira as plantas não compensarão falhas, pois elas terão as plantas agrupadas ou amontoadas ao lado.

Além desses dois parâmetros, também devem ser considerados o leito de semeadura, compactação, estrutura física, volume e tipo de palha na superfície, profundidade de preparação do sulco...
Cada cultivar deveria ter a população detalhada e, principalmente, espaçamento entre fileiras, para máxima eficiência na interceptação de energia solar e armazenamento de glicose na área foliar. A arquitetura da planta, com ramos laterais, tipo de folhas e nastias determinam distribuição espacial de plantas.

A resposta na eficiência pode ser maior ao ajustar o espaçamento entre fileiras do que variar a população na linha de semeadura.

Em geral, as lavouras de soja tem população exagerada de plantas, com falhas e plantas agrupadas no mesmo metro de fileira.

A lógica errada é a de corrigir falhas, aumentando a população, quando deveria melhorar a qualidade na semeadura.

As recomendações de populações de planta, variando entre 200 e 400 mil plantas/ha, mostram desconhecimento sobre área foliar e amadorismo na lógica de produção.

Veja a qualidade de semeadura, observando de lado, no sentido transversal da linha de semeadura... Corrija as falhas e elimine as plantas agrupadas.

Em MILHO: a variação aceitável é de 30%, em relação à média de plantas/m. Com 3,5 a 4 plantas/m, espaçamento de 25 a 28 cm entre plantas a variação aceitável seria ente 18 e 35 cm, mantendo as 3,5 a 4 plantas em todo metro de fileira.

Em ARROZ e TRIGO: a variação aceitável é de 80% (1 a 4 cm entre sementes).
FONTE: Agricultura sustentável
NOTÍCIAS RELACIONADAS
VER TODAS

Cadastre-se e receba gratuitamente as atualizações do Foco Rural em seu e-mail

Após o preenchimento de seu nome e e-mail, clique no botão CADASTRAR. Você receberá um e-mail para confirmação do cadastro. Caso não receba o e-mail, verifique sua Caixa de Spam. O recebimento de nossa newsletter depende da sua confirmação. Confira nossos Termos de Uso.


Cotações de Commodities fornecidas por Investing.com Brasil.
® 2011-2015. Foco Rural – O homem do campo bem informado. Todos os direitos reservados.
DESENVOLVIDO POR:
X
Enviar notícia por e-mail
*Meu Nome:
*E-mail Rementente:
*E-mail Destinatário: