Sábado, 21 de Julho de 2018
Agricultura
Cientistas americanos investigam safrinha do Brasil
13/04/2018
Os resultados estabelecem algumas bases para a formulação de políticas para empresas do agronegócio que buscam expansão agrícola para áreas tropicais. A informação foi divulgada pelo site Feed Stuffs no dia 13 de abril.

Apenas no fim da década de 1990 é que países tropicais começaram a mostrar ser possível o cultivo de grãos, particularmente a soja. Hoje, agricultores do Centro-Oeste do Brasil administram fazendas produtivas, em grande parte devido a um novo sistema de produção tropical conhecido como safrinha, ou sucessão agrícola, que resulta em duas grandes safras.

Economistas agrícolas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, queriam aprender mais sobre a produção de grãos em áreas tropicais. Em um estudo publicado no International Journal of Agricultural Management, eles examinaram diversos fatores que determinam o sucesso e a produção em grande escala em fazendas localizadas no estado de Mato Grosso, Brasil.

“Mato Grosso, onde a pesquisa foi realizada, é de longe o maior estado geográfico produtor de soja no mundo”, disse Peter Goldsmith, professor do departamento de agricultura e economia do consumidor da Universidade de Illinois e principal autor do estudo. “Eles ultrapassam em muito Illinois ou Iowa, e os rendimentos são os mesmos que nos Estados Unidos. Ninguém, há 20 anos, pensou que você poderia produzir soja em áreas tropicais.”

Historicamente, os trópicos – definidos entre aproximadamente 20 graus de latitude norte e 20 graus de latitude sul – constituíram-se como as regiões mais pobres do mundo, com a menor produtividade agrícola e algumas das maiores incidências de desnutrição, disse Goldsmith. “O pensamento era que a ‘cesta de pão’ estava fora daquela região e essas regiões seriam para sempre importadoras de alimentos. Até o final dos anos 90 – não há muito tempo – ninguém pensava no potencial do mundo tropical”.

No entanto, devido ao fenômeno da alta escala de produção no centro do Brasil, Goldsmith disse que era importante olhar para esses agricultores da “nova era” e como eles se comportam em termos de produção de soja e milho. Se os agricultores do Brasil tropical agora produzem 64% da safra de soja da nação de 114 milhões de toneladas, de acordo com um estudo de 2018, como eles fazem isso?

Uma das perguntas que os pesquisadores fizeram foi se esses produtores estão produzindo mais simplesmente usando mais terra. A resposta é não. “O sistema safrinha permite realizar duas safras e dobrar a produção sem dobrar a extensão de área agrícola”, disse Goldsmith. “Essa é uma força real da produção tropical, e alguns agricultores estão até produzindo uma terceira safra na mesma terra no mesmo ano”.

Eles também analisaram os tipos e quantidades de insumos usados ​​pelos agricultores. “Constatamos no trabalho que, globalmente, ocorreu um aumento no uso produtos; nós (norte-americamos) somos muito mais produtivos no uso de produtos em devido ao aumento no uso de tecnologia. Este não é necessariamente o caso do Brasil, exceto no que diz respeito à terra ”.

No geral, Goldsmith disse que o crescimento da produtividade total no Mato Grosso é baixa, de 9%. Grande parte do crescimento – 64% – vem do maior uso de insumos, como aplicações químicas e de fertilizantes. Isso não é surpreendente para regiões tropicais, onde a pressão de pragas é muito maior do que em outras partes do mundo.

“A produção tropical é diferente e devemos usar métricas diferentes para medir a produtividade”, disse Goldsmith. “O uso de tecnologia é mais lento por vários motivos, mas as baixas taxas de adoção de tecnologia não afetam o crescimento. O sistema de cultivo sucessivo, que não exige alta tecnologia, melhora drasticamente a produtividade da terra”.

Os resultados do estudo estabelecem algumas bases para a formulação de políticas a indústrias do agronegócio que pensam na expansão agrícola para estas áreas tropicais. “Há implicações positivas significativas para o futuro do abastecimento global de grãos e nossa capacidade de alimentar a grande população global de 2050, além de promover o desenvolvimento econômico rural e o alívio da pobreza em muitas das regiões mais pobres do mundo. Este novo modelo de negócios provou ser muito bem sucedido e veio para ficar ”, disse Goldsmith.
FONTE: Suinocultura
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