Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Fertilizantes para a soja: 3 mitos e verdades sobre aplicação de fósforo e cálcio
19/02/2018
Desde a extração nas minas até a absorção pelas plantas, entenda como ocorrem várias reações e transformações nas formas do fósforo.

Planejar a aplicação de fertilizantes corretamente é essencial para garantir uma colheita farta nas lavouras. O produtor deve investir em planejamento nutricional de forma adequada para elevar a produtividade da soja. Dentre os principais elementos necessários estão o fósforo e o cálcio, com origem predominantemente de rochas fosfáticas de origem vulcânica, em maior parte a fluorapatita. A correta aplicação desses nutrientes faz a diferença nos resultados da plantação.

De acordo com informações da fabricante de fertilizantes Yara, desde a extração nas minas até a absorção pelas plantas, ocorrem várias reações e transformações nas formas do fósforo. Com isso, têm surgido muitas dúvidas, especulações e mitos acerca das tecnologias empregadas nos fertilizantes nacionais. Os especialistas Agronômicos da Yara, Diego Guterres e João Maçãs esclarecem os três principais:

1 – Estão disponíveis na natureza?
Na sua forma natural, nas rochas brasileiras, esses nutrientes estão indisponíveis às plantas.

É verdade: Na condição natural da rocha, o fósforo está na forma de fosfato tricálcico, a qual as plantas não conseguem absorver (elas absorvem o P como dihidrogenofosfato – H2PO4-).

Para aumentar a eficiência agronômica dos fosfatos, a indústria realiza o processo de acidulação, solubilizando a rocha fosfática moída com ácido sulfúrico (rota sulfúrica de acidulação), o que resulta em superfosfato simples e sulfato de cálcio.

O superfosfato simples possui fósforo, cálcio e enxofre. Também pode-se atacar a rocha fosfática com ácido fosfórico, originando o superfosfato triplo (Lopes, A. S. et al., 2016). “Esses dois produtos passam por diversos processos até serem granulados e utilizados puros ou em misturas com outras matérias-primas como fertilizantes na agricultura”, explica João Maçãs, especialista em Portifólio de Produtos da Yara.

2 – Deficiência de fertilizantes?
Fertilizantes com fósforo e cálcio e se tornarem indisponíveis às plantas, criando uma deficiência desses nutrientes.

É mito: as formas de fósforo são influenciadas pelo pH da solução. Em solos ácidos, como a maioria dos solos tropicais brasileiros, o fósforo é fixado por ferro e alumínio. No outro extremo, em situações de pH acima de 7, o fósforo torna a sofrer um processo chamado “retrogradação”, no qual ele reage com cálcio (do fertilizante ou do solo) e retorna à condição de fosfato tricálcico, tornando-se indisponível às plantas.

Aqui, então, surge o mito de que em fertilizantes com P e Ca, esses elementos reagem e se tornam indisponíveis às plantas. Ora, em solos alcalinos (pH acima de 6,5), como os de clima temperado, essa reação pode acontecer. Mas não é a realidade dos solos brasileiros onde se cultiva soja.

“Além da acidez dos nossos solos, os fertilizantes fosfatados acidulados possuem reação ácida, inviabilizando a possibilidade dessa reação ocorrer. Ademais, se isso fosse fato, a eficiência agronômica dos superfosfatos seria muito baixa e essas fontes não seriam empregadas na agricultura”, esclarece Diego Guterres, especialista Agronômico da Yara.

3 – Corretivos de acidez
Misturar corretivos de acidez no adubo pode indisponibilizar o fósforo e o cálcio para as plantas.

É verdade: segundo os especialistas da Yara, sim, essa prática é uma maneira bem provável de indisponibilizar o P e o Ca nas plantas. Se o corretivo for altamente reativo e se for utilizado em dose excessiva, pode elevar o pH junto aos grânulos do fertilizante, levando à indisponibilização do P.

No entanto, os especialistas afirmam que o recomendado pela pesquisa agronômica é trabalhar a correção da acidez do solo de forma plena através de calagem criteriosa.
FONTE: SF Agro
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