Sexta-Feira, 17 de Agosto de 2018
Pecuária
Mosca resistente aos piretróides
26/01/2018
Produtos comerciais com esse princípio ativo têm demonstrado eficácia reduzida em surtos do inseto.

A mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) apresenta resistência a cipermetrina, da classe dos piretróides. Segundo os pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, MS, produtos comerciais com esse princípio ativo têm demonstrado eficácia reduzida em surtos do inseto. Conforme o pesquisador Thadeu Barros, a resistência foi detectada após a realização de experimentos em 2016 envolvendo populações de cinco municípios de Mato Grosso do Sul. “É de se esperar que ao longo dos anos ocorra a seleção de moscas resistentes. É uma seleção genética”, diz ele. “A pesquisa confirmou que essa situação já é uma realidade complexa e de difícil reversão.” A cipermetrina também é utilizada no controle de outros ectoparasitos do gado, como mosca-dos-chifres e carrapatos.

Conforme a Embrapa, a pesquisa de Thadeu Barros e do médico-veterinário Paulo Cançado, da mesma unidade, traz implicações não apenas para o controle da mosca, mas para outros estudos que envolvem monitoramento de populações e métodos de controle químico e biológico. “Muda o foco do nosso trabalho e a busca por uma solução fica mais difícil, porque essa ferramenta de baixo custo (a cipermetrina) poderia ser adaptada. Agora partiremos para uma solução, possivelmente, com custo e estratégias diferentes”, diz Cançado.

Para efetivar o estudo, os pesquisadores capturaram, com armadilhas, moscas vivas em quantidade suficiente para testes em diferentes concentrações de inseticidas. Os experimentos foram realizados em populações de campo e na colônia de mosca-dos-estábulos mantida na Embrapa. Ao fim, todas as populações testadas, inclusive a da colônia, apresentaram mais resistência à cipermetrina do que a população suscetível mantida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em Kerrville, no Texas.

O pesquisador Paulo Cançado relata que as populações brasileiras da mosca-dos-estábulos se mostraram de 5 a 28 vezes mais resistentes do que a colônia dos Estados Unidos. “Como inseticidas de um mesmo grupo têm estrutura química e modo de ação semelhantes, quando se detecta resistência a um princípio ativo, na verdade, a eficácia de todo o grupo a que o inseticida pertence (os piretróides) já está comprometida”, explica o pesquisador.

Agora, com a descoberta, os pesquisadores recomendam evitar o uso de produtos inseticidas do grupo dos piretróides no combate à mosca-dos-estábulos, pois sua eficácia está comprometida, pelo menos nas populações estudadas. A constatação de resistência em populações de diferentes municípios aponta para a disseminação do problema para todo o Estado. Em Mato Grosso do Sul, desde 2008 tem havido relatos de surtos desta mosca em propriedades pecuárias próximas a usinas sucroalcooleiras, principalmente na região sul. São Paulo também enfrenta o mesmo problema, com pecuaristas instalados em regiões canavieiras. O que se sabe é que o vinhoto utilizado como adubo nos canaviais é foco de proliferação da mosca. O estudo da Embrapa foi financiado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), com apoio da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul).
FONTE: DBO
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