Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Economia e Mercado Agrícola
Está achando o preço da soja ruim? Cepea diz que valor é o pior dos últimos 6 anos
09/01/2018
No ano passado, média geral dos preços recuou 14% se comparado a 2016. Entidade explica quais fatores levaram a esta queda acentuada nos valores da oleaginosa.

Uma série de fatores fez com que os preços da soja em 2017 se limitassem ao menor patamar desde 2011, aponta uma pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entre eles: a super produção da safra 2016/2017, o aumento da área no Brasil e Estados Unidos na temporada 2017/2018 e a perspectiva de boas colheitas em praticamente todos os países produtores.

Além da maior oferta, os valores nacionais foram pressionados pela desvalorização do US$ frente ao R$, que limitou os ganhos do produtor. O Indicador da soja Esalq/BM&FBovespa Paranaguá teve média a R$ 71,30 por saca de 60 quilos em 2017, 13,2% abaixo da de 2016, em termos reais (IGP-DI de novembro/17).

Quanto ao Indicador Cepea/Esalq Paraná, a baixa foi de 15,1% no mesmo comparativo, com média a R$ 66,20 por saca de 60 kg em 2017. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações da oleaginosa cederam 14,6% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 14,9% no de lotes (negociações entre empresas).

Pesquisadores do Cepea destacam que as cotações tiveram quedas mais intensas até maio, quando a colheita era finalizada no Brasil. A partir de então, as exportações enxugaram a disponibilidade interna – em maio, 10,9 milhões de toneladas de soja foram embarcadas, volume recorde para um único mês. A demanda externa firme e os bons volumes internos possibilitaram que as exportações seguissem intensas inclusive no último trimestre do ano.

Com o aumento no consumo nacional de óleo de soja e nas vendas externas, as indústrias domésticas enfrentaram o desafio de comercializar o farelo de soja em 2017. Uma vez que a procura externa esteve enfraquecida, avicultores e suinocultores não mostraram grandes interesses em formar lotes longos, adquirindo apenas quando havia maior necessidade. Na média das regiões pesquisadas pelo Cepea, o farelo de soja se desvalorizou 16,6% de 2016 para 2017. O preço do óleo de soja recuou fortes 10,1% em 2017.

Razões para a desvalorização

O Cepea destacou alguns pontos que ajudam a entender o que levou a esta queda nos valores pagos pela oleaginosa. De maneira global a produção mundial cresceu 12% entre as temporadas 2015/2016 e 2016/2017, enquanto o consumo não cresceu mais do que 4,6% no mesmo intervalo.

No Brasil, a temporada 2016/2017 chegou a incríveis 114 milhões de toneladas de soja, 18% acima do produzido na safra 2015/2016 (que teve uma grande quebra devido ao clima). O consumo/esmagamento doméstico foi de 45,78 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 4,76% a mais do que o da temporada passada. Houve aumentos de 3,23% nas produções de farelo e de óleo de soja, para 31,95 e 8,09 milhões de toneladas, respectivamente. “Com os excedentes internos recordes, houve forte necessidade de exportar”, afirma o Cepea.

Para ajudar a compensar parte do excesso de produção mundial, as exportações da oleaginosa também cresceram, mas não tanto quanto deveriam. A China comprou 10,2 milhões de toneladas a mais que em 2015/2016, chegando a 93,5 milhões de toneladas de soja.

Para piorar um pouco a situação, na safra seguinte 2017/2018, os baixos preços de outras commodities, como o milho, fizeram com que os produtores de soja optassem por plantar ainda mais soja, ampliando a área. Nos Estados Unidos, a oferta da nova temporada (colhida no final de 2017) foi 3% maior, deixando os estoques de passagem ainda mais abundantes. No Brasil, a área também cresceu (3%), mas a perspectiva é de uma produção 4,3% menor, devido ao clima, segundo levantamento da Conab. Ainda assim, injetar 109 milhões de toneladas de soja, em uma oferta mundial já bastante elevada, derruba os preços.

“Além disso, a safra foi volumosa na Argentina e a relação estoque X consumo final mundial, um recorde. Neste cenário, segundo pesquisas do Cepea, os preços da oleaginosa caíram no Brasil em 2017, voltando aos menores patamares reais desde 2011”, explica a entidade

As compras da temporada 2017/2018 seguem firmes na tentativa de desovar estas super produções. Apenas em 2017, a China adquiriu do Brasil 51,74 milhões de toneladas, equivalente a 78,6% do total das exportações brasileiras no ano anterior, cenário que limitou a queda nos valores domésticos.

Além da China, segundo as estimativas do USDA, os países que aumentaram as importações em nível mundial foram Taiwan (em 3,63%), Tailândia (10%), Indonésia (16,53%), Egito (62,69%) e o Canadá – este último, embora represente baixo volume, a alta foi de 70%. É interessante analisar que uma parte dos compradores internacionais mostra preferência pelo grão brasileiro. De acordo com a Secex, houve aumento de 15,2% nos embarques nacionais com destino a Taiwan e de 7,76% à Tailândia. Para o Egito, o Brasil enviou em 2017 mais que o dobro do volume de 2016.

No balanço do ano, o Brasil exportou 68,15 milhões de toneladas de soja. Embora seja volume recorde, o recebimento médio pelas vendas externas do grão foi de R$ 72,27/sc de 60 kg (considerando-se o dólar de R$ 3,19 em 2017), 7,67% menor que em 2016, quando estava em R$ 78,27/sc de 60 kg (dólar de R$ 3,48).

De farelo de soja, saíram dos portos brasileiros 14,17 milhões de toneladas em 2017, 1,8% abaixo do volume embarcado em 2016. Os principais compradores de farelo do Brasil foram Holanda e Tailândia. A receita do farelo de soja foi de R$ 1.119,78/tonelada, 10,5% abaixo da de 2016 (R$ 1.251,45/tonelada) – dados da Secex.

Quanto ao óleo de soja, os embarques somaram 1,22 milhão de toneladas em 2017, aumento de 6,4% frente a todo ano de 2016. O recebimento pelas vendas externas deste derivado foi de R$ 2.381,00/tonelada, 1,8% menor que o recebido em 2016, ainda conforme a Secex.
FONTE: Canal Rural
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